Caso Goleiro Bruno: suposto passaporte de Eliza Samudio é encontrado em imóvel alugado em Portugal
Um documento que seria um passaporte de Eliza Samudio foi encontrado no fim de 2025 em um apartamento alugado em Portugal. A informação veio a público nesta segunda-feira (5) após divulgação do Portal Leo Dias e rapidamente repercutiu nas redes sociais, reacendendo discussões em torno de um dos crimes mais emblemáticos da história recente do país.
De acordo com o relato divulgado, um brasileiro que vive no imóvel — e que preferiu não se identificar — afirmou ter encontrado o passaporte entre livros guardados em uma estante de uma área comum do apartamento. O local é compartilhado por diferentes moradores, incluindo o casal, uma criança, uma senhora e um jovem adulto.
Segundo o homem, o documento foi localizado após o retorno de uma viagem de trabalho, quando ele decidiu folhear um dos livros da estante. Ao se deparar com o passaporte, disse ter reconhecido imediatamente o nome e a imagem da titular. “Foi um choque. Trata-se de um caso que teve repercussão internacional, e pela foto eu soube na hora de quem era”, relatou.
O passaporte, emitido em 2006, estaria com todas as 32 páginas preservadas. Conforme as informações divulgadas, há apenas um registro de entrada em país estrangeiro, datado de 5 de maio de 2007, em Portugal. Não constam carimbos de saída nem novos registros de viagens posteriores.
O brasileiro afirmou ainda que não pretende expor a identidade da proprietária do imóvel. “Não quero levantar acusações nem ser injusto com ninguém. Cabe às autoridades esclarecer como esse documento foi parar ali”, declarou.
O passaporte foi entregue nesta segunda-feira ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. Em nota, o órgão informou que já comunicou oficialmente o Itamaraty, em Brasília, e que aguarda orientações sobre os próximos procedimentos. O consulado destacou que apenas cumprirá as determinações que forem repassadas pelo governo brasileiro, esclarecendo também que consulado e embaixada são instituições independentes em Portugal.
Eliza Samudio foi assassinada em 2010, aos 25 anos. O goleiro Bruno Fernandes, com quem mantinha um relacionamento, foi condenado em 2013 a 22 anos de prisão por envolvimento no homicídio, pena posteriormente reduzida para 20 anos e nove meses. O corpo da vítima nunca foi localizado. Ao todo, seis pessoas foram condenadas pelo crime. Um dos envolvidos, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, recebeu em 2024 uma nova condenação, desta vez por outro homicídio. Já o motorista Devanir Claudiano Alves foi assassinado em 2009, antes do julgamento do caso.
Após a divulgação da informação, o irmão de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, se manifestou e afirmou que o episódio trouxe novamente à tona lembranças dolorosas. Em entrevista, ele disse que o surgimento do passaporte “abalou o psicológico” da família.
Segundo Arlie, não há dúvidas de que o documento pertence à irmã, mas ele defende que o caso seja investigado com cautela. “É preciso apurar se o passaporte foi perdido, roubado ou guardado por alguém. O fato de ele ter aparecido agora também precisa ser explicado”, afirmou.
O irmão de Eliza disse não acreditar nas teorias que sugerem que ela estaria viva e morando fora do Brasil. Para ele, as provas reunidas à época da investigação apontam de forma consistente para o crime. “Seria um alívio se fosse verdade, mas, diante do que foi apurado, acho muito difícil. Agora é esperar que as autoridades façam seu trabalho”, declarou.
Arlie contou ainda que conviveu pouco tempo com a irmã. Os dois moraram juntos em Campo Grande (MS) quando ele ainda era bebê e Eliza tinha 14 anos. Anos depois, perderam contato quando ela se mudou para São Paulo, pouco antes de desaparecer.
O caso segue sob expectativa de novos desdobramentos, enquanto o passaporte permanece sob análise das autoridades brasileiras.

