OPERAÇÃO GOLPE DE FÉ: Polícia Civil mira esquema de falso banco ligado a igreja em Niterói, São Gonçalo e Baixada Fluminense

OPERAÇÃO GOLPE DE FÉ: Polícia Civil mira esquema de falso banco ligado a igreja em Niterói, São Gonçalo e Baixada Fluminense
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A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (18), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro por meio de um falso banco digital ligado a uma igreja evangélica. A ação acontece em diferentes pontos do estado, com destaque para Niterói, São Gonçalo e cidades da Baixada Fluminense, além da capital e de São Paulo.

Batizada de Operação Golpe de Fé, a ação é conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).

Segundo as investigações, o esquema prometia aos investidores rendimentos de até 10% ao mês. Pelo menos sete registros de ocorrência já foram relacionados ao caso, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 1,11 milhão. A Polícia Civil, porém, apura se o número de vítimas e os valores movimentados são ainda maiores.

De acordo com os investigadores, o principal alvo é um líder de uma igreja evangélica que funcionava inicialmente em São Gonçalo e atualmente está instalada em Niterói. Ele teria usado a influência religiosa para conquistar a confiança de fiéis e outras pessoas e convencê-las a investir em uma plataforma conhecida como “Banco do Pastor”.

Após a captação dos recursos, os rendimentos prometidos teriam deixado de ser pagos. Inicialmente, as vítimas recebiam diferentes justificativas, até que os pagamentos e as restituições dos valores investidos foram interrompidos.

A investigação aponta ainda que o caso teria uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre captadores de clientes, operadores financeiros e pessoas físicas e jurídicas utilizadas para movimentar os recursos.

A empresa responsável pelo suposto banco digital apresentava capital social declarado de R$ 5 milhões. Entretanto, segundo a Polícia Civil, alguns dos sócios registrados não teriam capacidade financeira compatível com os valores envolvidos, levantando a suspeita de utilização de interpostas pessoas para esconder os verdadeiros controladores do negócio.

Os investigadores identificaram transferências para contas pessoais do principal alvo e para empresas ligadas a ele, incluindo negócios dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e instituição de pagamentos.

Uma das contas investigadas teria funcionado como uma espécie de “conta de passagem”. Somente nela, foram identificadas mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos.

A Polícia Civil também investiga a participação de familiares do principal alvo. A esposa e o filho dele aparecem como sócios de empresas que teriam sido utilizadas para movimentar recursos e realizar saques de grandes quantias em espécie.

As diligências seguem em andamento em Niterói, São Gonçalo, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é identificar outros envolvidos, rastrear o dinheiro, localizar patrimônio adquirido com os recursos e recuperar valores que possam ter sido obtidos por meio do esquema.

Os investigados são alvos da apuração e têm direito à defesa e ao devido processo legal.