ESCÂNDALO BILIONÁRIO: Investigação revela rede de postos ligada à lavagem de R$ 7,6 bilhões; Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí estão na lista
Uma investigação da Polícia Federal trouxe à tona um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro já apurados no estado do Rio de Janeiro. A ofensiva, realizada durante mais uma fase da Operação Unha e Carne, identificou uma extensa rede de 73 postos de combustíveis espalhados por 16 municípios fluminenses que teriam sido utilizados para movimentar recursos de origem criminosa.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de empresas registradas em nome de terceiros, conhecidos como “laranjas”. A operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra suspeitos de integrar a organização.
O levantamento mostra que 56 postos continuam com cadastro ativo, 16 tiveram suas atividades suspensas por decisão da Justiça e um já encerrou as operações. Entre os municípios citados estão Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Rio de Janeiro e diversas outras cidades do estado.
As informações foram reunidas pelo ex-secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio, João Pires, que afirma ter compartilhado o material com a Polícia Federal ainda no início das investigações. Segundo ele, o cruzamento de dados foi realizado com base em informações públicas da Receita Federal e em levantamentos feitos durante sua atuação no órgão.
Em Niterói, um dos postos citados é o Posto VIP Gavião, localizado na Rua Gavião Peixoto, em Icaraí. Funcionários informaram que o estabelecimento está temporariamente fechado devido ao encerramento do contrato com a antiga bandeira e à mudança de administração. A distribuidora Ipiranga informou que não possui mais vínculo comercial com o antigo operador da unidade e que o local deverá voltar a funcionar futuramente sob nova gestão.
Niterói concentra 17 postos investigados
O levantamento aponta 17 estabelecimentos em Niterói, distribuídos por bairros como Barreto, Fonseca, Cubango, Icaraí, Santa Rosa, São Francisco, Baldeador, Pendotiba e Região Oceânica.
São Gonçalo aparece com 15 unidades
São Gonçalo surge logo em seguida, com 15 postos localizados em bairros como Alcântara, Neves, Mutondo, Vista Alegre, Porto Novo, Gradim, Raul Veiga, Rocha, Boa Vista, Zé Garoto, Rio do Ouro, Porto da Pedra, São Miguel e Pita.
Maricá, Itaboraí e outras cidades
O levantamento também identifica quatro postos entre Maricá e Itaboraí. Já na capital fluminense, são 18 estabelecimentos distribuídos por bairros como Barra da Tijuca, Penha, Tijuca, Cidade de Deus, Bonsucesso, São Cristóvão, Praça Seca, Olaria, Piedade, Engenho Novo, Senador Camará e Pedra de Guaratiba.
Também aparecem na lista postos em Rio Bonito, Araruama, Campos dos Goytacazes, Itaguaí, Saquarema, Silva Jardim, Tanguá, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Piraí e Rio das Ostras.
João Pires afirma que o objetivo do mapa é identificar empresas que fariam parte da estrutura investigada, independentemente de estarem atualmente abertas ou fechadas. Segundo ele, alguns estabelecimentos encerraram as atividades por decisão das distribuidoras, outros foram suspensos pela Justiça e alguns continuam funcionando normalmente.
Pagamento apenas em dinheiro chamou atenção
Após a deflagração da operação, consumidores relataram que diversos postos passaram a aceitar exclusivamente pagamentos em dinheiro. Segundo João Pires, a mudança teria ocorrido para permitir a reorganização da operação financeira das empresas, sendo revertida dias depois com a utilização de novos CNPJs para processamento dos pagamentos eletrônicos.
Leitores também relataram situações semelhantes em postos de Niterói e São Gonçalo.
Investigação alcança políticos e agentes públicos
Entre os investigados estão um ex-prefeito da Baixada Fluminense, um ex-secretário estadual de Polícia Civil e outros suspeitos apontados pela Polícia Federal como integrantes da estrutura responsável por ocultar recursos ilícitos utilizando postos de combustíveis registrados em nome de laranjas.
Os envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e outras infrações que ainda estão sendo apuradas durante o andamento das investigações.
Fiscalizações identificam dezenas de irregularidades
As ações realizadas neste ano pelo Procon-RJ e pela Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor fiscalizaram dezenas de postos em todo o estado. Diversos estabelecimentos foram autuados ou interditados por irregularidades como bombas adulteradas, divergência na quantidade de combustível fornecida, publicidade enganosa, problemas na precificação e suspeitas de venda de combustível adulterado.
Os órgãos alertam que as fraudes estão cada vez mais sofisticadas, utilizando equipamentos eletrônicos capazes de alterar o funcionamento das bombas, o que exige operações integradas com a ANP, o IPEM e outros órgãos de fiscalização.
Como o consumidor pode se proteger
Especialistas orientam que o motorista desconfie de preços muito abaixo da média praticada na região, exija sempre a nota fiscal e denuncie qualquer suspeita de irregularidade aos órgãos de defesa do consumidor, apresentando documentos, fotos, vídeos e comprovantes que possam auxiliar nas investigações.

