7 meses de silêncio: Família cobra respostas sobre morte de paciente Bruno Rodrigues durante hemodiálise em São Gonçalo
A morte de Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, de 29 anos, segue cercada de dúvidas e indignação. O caso, ocorrido durante uma sessão de hemodiálise em São Gonçalo, ainda não teve esclarecimento definitivo, mesmo após oito meses de investigações.
Paciente renal crônico, Bruno levava uma rotina considerada estável dentro de sua condição. Ele estava na fila ativa para transplante e realizava tratamento regular há cerca de um ano. Para a família, nada indicava que aquele dia terminaria em tragédia.
O episódio aconteceu em 20 de agosto de 2025. Segundo relatos, houve uma mudança na equipe responsável pelo atendimento, e a profissional que assumiu o procedimento teria deixado de cumprir etapas fundamentais de segurança antes de iniciar a hemodiálise.
A principal suspeita é de que o equipamento utilizado não tenha passado pela checagem adequada, o que pode ter permitido a presença de substâncias químicas no sistema. Entre as hipóteses investigadas está a exposição ao ácido peracético — produto utilizado na limpeza de máquinas hospitalares — que pode ter atingido diretamente a corrente sanguínea do paciente.
Durante a sessão, Bruno apresentou sinais de mal-estar. De acordo com a família, imagens internas indicam que o quadro clínico foi percebido, mas não houve resposta imediata. O socorro só teria sido efetivamente prestado após a intervenção de outro profissional.
O atendimento médico também é questionado. Familiares relatam demora na assistência e apontam que a condução do caso pode ter contribuído para o agravamento do estado de saúde.
Bruno foi internado em estado gravíssimo, permaneceu entubado e em coma por 19 dias, mas não resistiu.
Desde então, a família vive uma espera angustiante. O laudo mais recente do Instituto Médico Legal (IML) não conseguiu apontar de forma conclusiva o que provocou a morte, o que travou o avanço das investigações. A própria autoridade policial já solicitou complementação do documento pericial, diante da falta de detalhamento.
Exames considerados fundamentais, como o histopatológico — responsável por identificar possíveis lesões químicas e esclarecer a causa da morte — também enfrentaram demora, o que aumentou ainda mais a revolta dos familiares.
O pai da vítima afirma que a dor é agravada pela ausência de respostas.
“Ele entrou bem na clínica. A gente confiou. E nunca mais trouxe meu filho de volta para casa”, relatou.
O caso segue sem conclusão, enquanto a família cobra agilidade, transparência e justiça diante de uma morte que ainda levanta fortes indícios de possível negligência.

