Celsinho da Vila Vintém deixa presídio e cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica
O traficante Celso Luiz Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, um dos fundadores da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, nesta segunda-feira (15). Ele teve a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), a saída ocorreu por meio de um alvará de soltura expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A defesa de Celsinho alegou que sua esposa enfrenta um câncer em estágio avançado e que ele precisaria cuidar dela. O traficante terá até cinco dias para instalar a tornozeleira eletrônica.
Celsinho foi preso em maio deste ano, na Vila Vintém, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio. Segundo a investigação, ele teria se aliado novamente ao Comando Vermelho (CV) — facção rival da ADA — para retomar comunidades dominadas pela milícia.
A apuração da Polícia Civil revelou que Celsinho também teria feito acordos com André Costa Bastos, o Boto, chefe miliciano preso em presídio federal, que teria “vendido” a comunidade da Vila Sapê, em Curicica, para ele. O território foi imediatamente ocupado por criminosos da ADA, sem resistência, e passou a ser explorado pelo tráfico de drogas.
Além disso, a investigação apontou um pacto entre Celsinho, Boto e Edgar Alves de Andrade, o Doca (ou Urso), liderança do Comando Vermelho. Essa aliança criminosa, considerada inédita, tinha como objetivo consolidar o domínio de áreas estratégicas da Zona Oeste com divisão territorial pactuada, exploração do tráfico, uso de armamento pesado, coação de moradores e homicídios.
Histórico criminal
Celsinho acumula uma longa ficha criminal. Condenado por tráfico de drogas, roubo e formação de quadrilha, foi preso pela primeira vez em 1990. Em 1998, chegou a fugir do presídio vestido de policial militar. Recapturado em 2002, cumpriu boa parte da pena em presídios federais de segurança máxima, incluindo Porto Velho (RO).
Em 2017, foi transferido de volta ao Rio e chegou a ser acusado de envolvimento na invasão da Rocinha, mas sua participação foi posteriormente colocada em dúvida pelo Ministério Público. Ele voltou às ruas em 2022 e foi novamente preso em maio de 2025.
Ao longo dos anos, Celsinho nunca negou sua atuação no tráfico. Em entrevista concedida no início dos anos 2000, chegou a afirmar: “Eu sou traficante. Vivo do tráfico. Sou bandido. Mas eu sou um cara devagar, não dou tiro na polícia. Eu fujo da polícia. Compro meu pozinho, minha maconha e vendo.”

