Irresponsabilidade sobre duas rodas: motociclistas operados voltam ao hospital após novos acidentes em São Gonçalo
A imprudência no trânsito tem se mostrado um ciclo perigoso em São Gonçalo. Nas últimas três semanas, o Centro de Trauma do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), referência em média e alta complexidade, recebeu motociclistas que, mesmo após passarem por cirurgias delicadas devido a acidentes, retornaram à unidade depois de se envolverem em novas colisões.
Segundo médicos da instituição, a reincidência aumenta os riscos para pacientes já debilitados, podendo gerar complicações graves e até sequelas irreversíveis.
Um dos casos mais recentes é o de um jovem de 27 anos, morador de Itaúna, em São Gonçalo. Ele havia sido operado há 45 dias após sofrer uma fratura exposta no fêmur. No início deste mês, acabou voltando ao hospital depois de se envolver em outro acidente de moto, desta vez com uma fratura na tíbia. Foi submetido a nova cirurgia de emergência e segue internado, sem previsão de alta.
“Esse paciente ficou conosco bastante tempo. Fizemos a reconstrução da perna dele no último dia primeiro de julho, usamos um fixador caríssimo, que poucas unidades públicas têm. Hoje ele retornou ao hospital, depois de outro acidente, com uma lesão gravíssima no fêmur, que destruiu completamente o aparelho que colocamos. É enxugar gelo. A luta é grande”, relatou o médico Carlos Neves, coordenador de ortopedia do HEAT.
Crescimento alarmante dos acidentes
O número de atendimentos envolvendo motociclistas preocupa os profissionais de saúde. Além da gravidade das lesões, a repetição de casos tem sobrecarregado o sistema. O hospital registra diariamente um fluxo elevado de vítimas de acidentes de moto, o que impacta cirurgias programadas, exige alto consumo de bolsas de sangue e mobiliza várias especialidades médicas.
“Essa situação tem sobrecarregado o sistema, impactando o atendimento de outras emergências. Recebemos diariamente pacientes de acidentes com moto. Atendemos, estabilizamos e operamos, mas precisamos conter esses números. São acidentes evitáveis. Muitos sobrevivem, mas outros ficam com sequelas graves ou não resistem”, destacou o médico Marcelo Pessoa, coordenador do Centro de Trauma do HEAT.
Estrutura reforçada para dar conta da demanda
Para lidar com o aumento da procura, o HEAT passou por obras recentes. O centro cirúrgico foi ampliado com a abertura de uma nova sala, elevando em cerca de 30% a capacidade mensal de procedimentos. A unidade também recebeu equipamentos e materiais de última geração, o que possibilitou maior eficiência no atendimento.
Apesar dos avanços estruturais, os médicos reforçam que a conscientização no trânsito é essencial. O excesso de velocidade, a imprudência e o desrespeito às normas continuam sendo os principais fatores por trás das ocorrências.

